Hendrik Johannes ,mais conhecido como "Johan" Cruijff, nasceu em 25 de abril de 1947 em Amsterdã, ele que sem duvida foi um dois maiores gênios do futebol mundial de todos tempos, tanto como jogador ou como técnico, ele que revolucionou o futebol holandês, para ser mais preciso o Barcelona, e ele também o atual técnico da Seleção da Catalunha.
No final dos anos 1960, já demonstrava suas idéias revolucionárias. Deixou a todos no Ajax louco não só ao impor as suas noções de táticas, como também a tomar a iniciativa de negociar seus termos salariais. Suas idéias ousadas de combinaram-se com a igualmente ousada ambição de um professor de ginásticas para crianças surdas, o mestre Rinus Michels, quando eles se encontraram em 1965 no Ajax, onde Michels chegara para ser técnico. Michels planejava transformar o clube, uma equipe profissional que fazia jogos pelo leste de Amsterdã, em um time internacional de ponta - o que ele e Cruijff conseguiriam rapidamente.
Considerado um jogador revolucionário, em todos os quesitos, inspirou muitos jogadores e treinadores a partir de suas extraordinárias atuações no Ajax e na Seleção da Holanda, quando ele deu um show a parte na copa de 1974, suas atuações no mundial foram suas únicas referências para grande parte das pessoas que o conhecem, antes da cobertura ao vivo dos campeonatos estrangeiros pela TV, apenas as Copas eram vistas de maneira especial.
Em campo, Cruijff ditava um jogo de toques rápidos em que os jogadores não possuíam posições fixas, trocando-as constantemente, com exceção óbvia ao goleiro - que nem por isso deixava de ter a sua contribuição no "sistema", cabendo a ele a função de iniciar os ataques. O chamado "futebol total" surgiu em volta de Cruijff, um jogador com fome de jogo, que, como fome de bola, ia atrás no campo para marcar o adversário e tirá-la dele, com todas as condições para isso: tinha um fôlego privilegiado, era magro, sendo exímio no controle de velocidade.
Cruijff foi praticamente criado no Ajax: seu pai, Manus, dono de uma mercearia, fornecia frutas ao clube. Os vínculos continuaram por parte de mãe, que foi trabalhar como faxineira do clube após tornar-se viúva (quando o garoto Cruijff, que frequentava os vestiários já com quatro anos, possuía uma maturidade de um garoto de doze anos). Por ideia dela, o filho entrou nas categorias de base do Ajax; ela acreditava que assim ele poderia superar a deficiência que tinha nos pés, cuja má formação o obrigava a utilizar aparelhos ortopédicos: ironicamente, só assim ele, cuja uma das características futuras seria suas corridas fulminantes.
O garoto Cruijff estreou em 1964, em derrota de 1 x 3. Com a chegada um ano depois de Michels, que aceitou o jogo ditado por Cruijff, os títulos viriam em série: o Ajax seria na primeira temporada com ambos trabalhando juntos, a de 1965/66, campeão holandês, o que se repetiria consecutivamente outras duas vezes. Outros três títulos no campeonato nacional viriam em espaço de cinco anos. Cinco copas da Holanda também seriam levantadas no período.
Na liga dos campeões da UEFA, após uma eliminação nas quartas diante do Dukla Praga e outra nas oitavas contra o Real Madrid, clube que futuramente seria o seu maior rival o Ajax clube chegou à final em 1969. No caminho, eliminou o vice-campeão anterior, o poderoso Benfica do Pantera Eusebio, mas perdeu a decisão para o Milan. Para piorar, o arqui rival Feijenoord ,trouxe a mais importante taça européia á liga dos campeões pela primeira vez para a Holanda , em 1970. Cruijff, Michels e o Ajax responderam logo na edição seguinte, igualando o rival e superando-o em seguida: foram três títulos consecutivos, nas edições de 1971 e 1972, ano em que ele foi pela segunda vez artilheiro do campeonato, e em que o time ganhou todos os torneios importantes que disputou,e em 1973, respectivamente contra o Panathinaikos, time então treinado pelo lendário húngaro Ferenc Puskas, O Ajax eliminou, a Internazionale de Milão e Juventus, tendo passado também posterior também tricampeão seguido Bayern Munique e pelo Real Madrid. Pelos títulos de 1971 e 1973, Cruijff seria premiado com a Bola de Ouro da France Football, sendo o primeiro holandês a recebê-la. Os dois últimos títulos europeus foram já sem Michels, que saíra para o Barcelona após a primeira conquista continental.
Quando ele chegou ao Barça na negociação mais cara do futebol até então, por cinco milhões de dólares, preço tão alto que o governo espanhol não aprovou a transferência. Só conseguiu ser levado porque foi registrado oficialmente como uma peça de máquina de agricultura. Cruijff justificou o alto investimento: marcou duas vezes na estreia e reconduziu o Barça a um titulo do campeonato espanhol que não vinha havia 14 anos, quando ainda jogavam pelo clube o espanhol Luis Suarez, os irmãos húngaros Zoltán Czibor e Sándor Kocsis e László Kubala além do craque do Barça Evaristo de Macedo.
Estreou pela Holanda em 1966, aos dezenove anos, em jogo contra a ainda respeitada Hungria, fez o gol de empate aos 48 minutos do segundo tempo, Cruijff transfomaria a Seleção holandesa, então modesta, em uma potência mundial. Mas isso ainda demoraria a ocorrer: o país não se classificaria para as fases finais da eurocopa de 1968 e 1972 e para a copa do mundo de 1970.
A base titular da Seleção formada pelos jogadores dos continentalmente vitoriosos Feyenoord : Wim Jansen, Wim van Hanegem e Wim Risberger e do Ajax Arie Haan, Ruud Krol, Johan Neeskens, Jonny Rep e Wim Suurbier. que no período entre 1970 e 1974 deixaram a taça da Copa dos Campeões da UEFA na Holanda, o conjunto, ainda que desunido, os jogadores de um time não costumavam conversar com os do rival e Cruijff não esconderia isso no livro Futebol Total, que ele publicaria ainda naquele ano, finalmente obteve a classificação para a copa de 1974. Cruijff, já treinado por Rinus Michels no Barcelona,essa seleção ficaria eternizada como a laranja mecânica . O treinador não hesitou em transportar para a Seleção o rodízio que funcionara bem no Ajax de ambos, o chamado "futebol total" do Ajax transformou a Holanda para o resto do mundo no famoso "Carrossel Holandês" daquele mundial.
Cruijff era um jogador à parte no elenco laranja, cuja equipe-base era formada também pelo goleiro Jan Jongbloed e pelo atacante Rod Rensenbrink, de outros clubes, o que se traduzia inclusive no uniforme: enquanto a numeração do restante do elenco foi escolhida conforme a ordem alfabética dos sobrenomes, fazendo o goleiro titular Jongbloed jogar com o número oito, Cruijff pôde utilizar o seu número favorito, o 14. E, mais visivelmente, enquanto os demais jogadores exibiam as três listras laterais da Adidas ,saída encontrada pela empresa para a sua divulgação, uma vez que logomarcas ainda eram proibidas de serem estampadas nas camisas, as roupas dele continham apenas duas, imposição de sua patrocinadora particular que era nova no mercado,a Puma.
O espírito um tanto "mercenário" não foi uma exclusividade sua na Copa, contagiando todo o elenco, que passava mais tempo discutindo termos, condições e prêmios do que debatendo sobre táticas.] Mesmo um dos únicos que não reclamaram do já alto prêmio de 25 mil florins dado aos jogadores pela classificação à final, Neeskens, declararia que seu objetivo no mundial era melhorar a própria cotação "no mercado futebolístico internacional". No mundial, o país lideraria seu grupo na primeira fase após vencer Uruguai (2 x 0) e Bulgária (4 x 1, uma vingança contra a seleção que havia tirado a vaga nos neerlandeses no mundial anterior) e empatado em 0 x 0 com a Suécia, em que ele passou a bola por trás de suas pernas após ameaçar cruzar, deixando o zagueiro sueco que tentara impedir o suposto cruzamento, Jan Olsson, chutar o ar.
Um assombro maior viria na segunda fase, também disputada em grupos de quatro países, e não em mata-matas. Cruijff marcaria pela primeira vez, fazendo dois gols na primeira partida, contra a Argentina, que levou de 0 x 4. Os Holandeses depois venceriam a Alemanha Oriental por 2 x 0, chegando à última rodada com a vantagem do empate contra o detentor do título, o Brasil, que tinha menor saldo de gols, tendo vencido os mesmos adversários por 2 x 1 e 1 x 0, respectivamente. Em uma verdadeira batalha campal, a "Laranja Mecânica" aniquilaria os campeões por 2 x 0, com Cruijff dando assistência para o primeiro gol de Johan Neeskens, e marcando o segundo, e a Seleção Holandesa tornava-se a primeira a vencer em uma Copa as três potências sul-americanas. A final seria contra os anfitriões, outros alemães, os da Alemanha Ocidental
Mal dado o início da partida, Cruijff correu com a bola até ser derrubado por Uli Hoener, na entrada da área alemã, cavando pênalti inexistente, que seria convertido por Neeskens. No restante do jogo, porém, deixar-se-ia anular facilmente por Berti Vogts, e os alemães conseguiriam virar a partida e ficar com a taça. A explicação para a sua atuação aquém do esperado estava na bastante mal-dormida noite anterior: Cruijff, que prezava a família segura que perdera aos doze anos, passara a véspera da partida procurando convencer sua esposa, Danny. Já o jornal alemão Bild-Zeitung , deu a noticia que de que ele teria feito festa no hotel regada a champagne e garotas de programa, essa noticia falsa.
O ocorrido também lhe motivaria a não ir ao mundial seguinte, na Argentina, onde poderia ter sido crucial em uma campanha que, sem ele, também ficaria no vice-campeonato. Apesar de ele ter anunciado ainda em 1974 em seu livro Futebol Total a decisão de não participar da próxima Copa, a equivocada versão de que teria recusado a ir em protesto à ditadura argentina acabaria sendo mais divulgada, talvez devido ao fato de que ele continuou a jogar pela Holanda até às vésperas do mundial de 1978 , tendo inclusive participado da fase final da Euro de 1976, onde ficou com a terceira colocação.
Eleito o melhor jogador do campeonato, receberia sua terceira Bola de Ouro pelo feito. A temporada fora em estado de graça também por ele ter conseguido, paralelamente, classificar a Seleção Holandesa para a copa do mundo de 1974, que não disputavam o torneio desde a sua segunda participação, na edição de 1938. Se a primeira temporada foi mágica, as seguintes lhe seriam estressantes, apesar da companhia de seu ex-colega de Ajax e Seleção Johan Neeskens, trazido ao clube após o mundial de 1974: só voltaria a ganhar um troféu em 1978, quando levantou a Copa do Rei, e depois disso ele se aposentou, sem ir á copa de 1978, devido ao regime ditatorial que existia na Argentina, e também cansado da violência dos gramados espanhóis, onde chegou a ter uma perna quebrada. Ainda assim, sua imagem continuaria poderosa no clube e na região da Catalunha em homenagem ao santo padroeiro local batizaria seu filho de Jordi, a versão no idioma catalão para o nome Jorge. Jordi Cruijff só pôde ser registrado assim pois nascera nos Países Baixos, uma vez que na Espanha a ditadura de Francisco Franco, que proibia o uso de outra língua que não a castelhana, ainda vigorava.
Em 1978, fez a sua despedida com a camisa do Ajax, em amistoso contra o clube que havia sido o sucessor imediato da equipe na hegemonia da Copa dos Campeões: o Bayern Munique, que conquistaria o troféu também três vezes seguido após o último do Ajax. Os alemães venceriam por 8 x 0, este acabaria, entretanto, sendo um final provisório: em virtude de investimentos desastrosos em criações de porcos, que o fariam perder milhões, Cruijff se viu forçado a voltar a jogar.
Escolheu o futebol dos Estados Unidos, assim como fez Pelé e Franz Beckenbauer , onde poderia viver tranqüilo no anonimato. Passaria dois anos nos EUA, onde defendeu primeiramente o Los Angelea Aztecs, time que era treinado por Michels, e depois disso ele foi para o Washington Diplomats. Vestiria também a camisa do New York Cosmos em amistoso de exibição. ]Voltou a se apaixonar pelo esporte e retornou brevemente à Espanha, onde vestiu novamente um manto azul e grená, mas não o do todo poderoso Barcelona e sim o do pequeno Levante da cidade de Valência. Logo retornaria ao Ajax.
Enfrentou ceticismo não só por nunca ter sido uma unanimidade em casa (onde era acusado de "desbocado" e "dinheirista"), mas também pela idade de 34 anos e seu físico já comprometido. A resposta veio em sua reestreia, em que passou por dois zagueiros e encobriu o goleiro do Haarlem. O público lotava os estádios para o ver, acreditando que estava perto da aposentadoria, e as câmeras de TV muitas vezes não conseguiam seguir suas jogadas fulminantes. Em suas duas temporadas no retorno ao Ajax, seria mais uma vez campeão holandês (e na segunda, também campeão da Copa nacional), juntamente com os jovens talentos do Ajax como Marco van Basten e Frank Rijikaard . A primeira vez em que Van Basten entrou em campo profissionalmente foi inclusive substituindo Cruijff.
Considerado velho, Cruijff foi despedido do clube depois do segundo título seguido no campeonato por se recusarem a lhe pagar o que queria. Aos 36 anos, preparou sua vingança, firmando contrato com o rival Feyenoord. No time de Roterdã, jogando sua última temporada profissional, ele, convivendo agora com um jovem Ruud Gullit, ganharia pela terceira vez seguida o campeonato holandês, quebrando um jejum de dez anos do novo clube, - que venceria também a copa da Holanda.
Desde 1996, doze anos após sua aposentadoria, um troféu que leva seu nome seria criado pela federação holandesa, sendo entregue ao vencedor da partida entre os campeões do campeonato e da Copa nacionais.
Na função de técnico entre outras Cruijff batizou um planetóide, o de número 14282. Em 8 de julho de 1974, semanas após o vice-campeonato na Copa do Mundo de 1974, Cruijff foi condecorado com a classe de cavaleiro da Ordem da Casa de Orange. Ele também é membro honorário da Real Associação de Futebol dos Países Baixos e do Ajax. Foi eleito em 2004 o sexto maior neerlandês da história, estando à frente de nomes como Anne Frank, Rembrandt e Vincent van Gogh.
Além do futebol, aprecia também jogar golfe, na década de 1970, ele chegou a gravar uma música de relativo sucesso nas paradas holandesas, "Oei Oei Oei (Dat Was Me Weer een Loei)". Ele é casado com Danny Coster desde antes da fama internacional, em 1968, e a considera a pessoa mais importante da vida: "Sem ele eu teria cometido tantos erros... ela me mantém no caminho certo". O casal escandalizava a conservadora sociedade espanhola nos tempos franquistas, em que agiam como jovens europeus modernos, fumando e usando cabelos compridos (no caso de Cruijff) e minissaia (no caso da mulher). Teve três filhos com ela: Chantal, Susila e Jordi.
Também era rebelde nos campos espanhóis, desafiando árbitros e policiais, identificou-se tanto com a cultura catalã que batizou o filho caçula com a versão local do nome de São Jorge, o santo padroeiro da região, além de viver até hoje na cidade. "Sou um cara do mundo. (...) Por que tenho de me fechar? Eu quero abrir ao invés de fechar. É preciso ter mais visão", declarou ao ser questionado porque ainda usa mais o espanhol ao catalão em entrevistas.
Ele obteve sucesso fora dos gramados, dois anos após parar de jogar, pelo Feynoord , voltou ao Ajax como treinador, ficaria por duas temporadas, mas não conquistaria o campeonato neerlandês no período, em que o clube hegemônico nele foi o PSV Eindhoven. Tentou reintroduzir o estilo do "futebol total", mas só confundiu os jogadores, já desabituados com o sistema. Não escondia que priorizava desenvolver novamente o futebol do clube, desde as divisões de base, a ganhar logo títulos. Ainda assim, comandou Van Basten, Rijkaard e o jovem Dennis Bergkamp na conquista da Recopa Européia de 1987, faturando também as Copas nacionais do mesmo ano e do anterior. Van Basten marcou o gol do título europeu após ouvir dizeres nada sutis do técnico: "se você não vencer, eu destruo você".
No ano seguinte, á Holanda finalmente conquistariam um torneio, a Europa de 1988, sob o comando de Rinus Michels, o método conjunto de ambos e jogadores que haviam jogado com Cruijff, dentre eles o trio Gullit-Van Basten-Rijkaard. No futebol holandês, há o antes e o depois de Cruijff. Graças à geração simbolizada por ele, a Seleção holandesa, tornou-se uma das mais respeitadas do mundo. Atualmente, entretanto, não é nas ideias dele que o jogo da Oranje se baseia. Arthur van den Boogard, cronista esportivo do país, chamou isso de "pós-Cruijff". O revolucionário, que já não era uma unanimidade, teve sua imagem sendo abalada conforme seus pensamentos não vinham mais se adequando à realidade do futebol atual, como a falta de necessidade de alas.
A preocupação dele em relação aos rumos das categorias inferiores tinha fundamento: o clube havia parado de revelar talentos na quantidade e qualidade que havia no início da década de 1990, quando colheu os frutos da organização profunda feita por Cruijff nelas; boa parte do time que conquistou a Liga dos Campeões da UEFA de 1995 (o quarto e último título do clube no torneio), era formada por jovens que estavam nas divisões de base que ele tanto priorizou quando técnico. Quem sobrevivia às loucuras de Cruijff - ele, por exemplo, chegou a usar atacantes natos como Dennis Bergkamp, que fez ele jogar de zagueiro para fazer ele aprender como o adversário pensar, parecia destinado a ter destaque futuro: do time campeão europeu naquele ano, haviam sido formados no clube no período dele na comissão técnica Michal Reiziger, os irmãos Frank e Ronald de Boer, Clarence Seedorf, Edgar Davids e Patrick Kluivert (que revelou ter passado pela mesma situação de Bergkamp), outra joia da casa era Frank Rijikard.
Talvez por isso tenha sido contratado em 1988 por seu outro ex-clube, o Barcelona. Planejou nos blaugranas o mesmo trabalho desde as divisões de base que fizera no Ajax. Sua maior crise no período em que ficaria no Barça não seria resultados dos gramados e sim um infarto que quase o matou, em 1991, muito provavelmente consequência dos cigarros que inveteradamente fumava; o ataque o obrigou a implantar pontes de safena.
No Barcelona, ficaria oito anos, quebrando o recorde de permanência no cargo. Os frutos no Campeonato Espanhol vieram a partir da terceira temporada. Decadente no torneio nos anos 80, em que o conquistara apenas uma vez (em 1985), com Cruijff o Barça levaria a liga quatro vezes seguidas, a partir de 1991. Antes disso, a equipe já havia levado a Copa do Rei de 1990 e, no ano anterior, a Recopa Européia.Em 1992, o clube seria pela primeira vez campeão da Liga dos Campeões da UEFA, batendo na final a Sampidoria, o mesmo adversário vencido três anos antes na Recopa. O único gol foi marcado por um compatriota trazido por ele, Ronald Koeman.
Dois anos depois, com outro reforço trazido por ele do futebol holandês, ninguém menos que Romário, que jogava no PSV, o clube teve a oportunidade do bi contra o Milan, que levara a melhor na Supercopa Européia de 1989. Favorito, o time de Cruijff acabaria goleado por 0 x 4. O Barcelona não voltaria mais a ganhar títulos por um tempo e ele acabaria saindo em 1996, não voltando mais a treinar equipes, não sem antes afastar do clube o próprio Romário e o búlgaro Hirsto Stoichkov, cujas personalidades também fortes foram de encontro com a dele.
Outras estrelas mundiais que saíram, por não se adequarem ao posicionamento que Cruijff escolhia para elas, foram o inglês Gary Lineker em 1989, e o romeno Gheorghe Hagi, em 1996. O dinamarquês Michael Laudrup foi outro a se aborrecer com o técnico, por ter sido o estrangeiro escolhido para não ser escalado na final da Liga dos Campeões de 1994, devido ao limite de três estrangeiros existente na época, Cruijff teve de usar apenas Romário, Stoichkov e Koeman, aceitando logo depois proposta do Real Madrid. Por outro lado, Cruijff não deixou de usar seu filho Jordi no elenco - não por acaso, Jordi Cruijff deixaria o clube em 1996 rumo ao Manchester United, após a saída do pai.
Em meio ao seu período de glórias como técnico do Barcelona, Cruijff chegou a ser chamado para treinar a Holanda para a Copa do Mundo de 1994, mas achou a oferta pouco atrativa e recusou. Após deixar a função, passou a trabalhar com sucesso como comentarista. Sua influência é mais forte no Barcelona do que na terra de origem, o que inclui seu poder nos bastidores: o clube contratou Frank Rijikaard em 2003 por indicação dele, a despeito disso, sua bênção também foi aceita na Seleção holandesa que contratou outro pupilo seu Van Basten, como técnico em 2004.
Se o Ajax deixara os projetos iniciados por Cruijff de lado, no Barcelona, onde ele procurou realizar a mesma obra, foi diferente: atualmente, a academia barcelonista conta com doze equipes, cada uma com até 24 jogadores. A maioria dos técnicos são licenciados pela UEFA para dirigir as categorias inferiores do Barça, consideradas as maiores produtoras de jogadores de alto nível, chegando a levar até 15 anos para formar um atleta. "Talvez o maior legado de Cruijff seja a metodologia que ele trouxe para o clube", disse José Ramón Alexanko, membro do chamado Dream Team campeão europeu sob o comando dele em 1992.
De acordo com Alexanko, o Barcelona continua a procurar jogadores "pela excelência técnica, força mental, ritmo e rapidez de raciocínio em campo. A maioria dos jogadores que cabe nessa categoria já está jogando como atacante e nós depois os transformamos em zagueiros, geralmente quando eles têm 16 anos (…). Um jogador também deve amar o distintivo do clube, as cores da camiseta" Jorge Valdano diretor de esportes do arquirrival Real Madrid, declarou que "Cruijff deixou no Barcelona um testamento ideológico, trabalhado sobre o gosto futebolístico do espectador, a quem ele educou. (...) A ponto de que hoje é impossível triunfar no Barcelona sem jogar bem o futebol. Em Barcelona, ele é como o oráculo."
Josep Guardiola, um dos garotos levados diretamente por Cruijff ao time principal e também integrante do mesmo elenco campeão, sintetizou a metodologia do ex-técnico: "os jogadores têm de pensar rápido e jogar com inteligência, sempre sabendo qual será o próximo passe (…). É assim que aprendemos a jogar e que o público espera que joguemos: de forma atraente, mas sem perder a eficiência (…). Cruijff (…) nos ensinou a jogar movimentando a bola rapidamente. Ele só usava jogadores de grande técnica. Quando procuramos por jogadores, ainda queremos essas qualidades".
Sua reputação ainda piorou após uma breve passagem na direção do Ajax, em fevereiro de 2008, um ano após ter sido homenageado no Ajax com a aposentadoria da camisa 14, que ele utilizava. Cruijff apareceu proclamando-se o salvador do time, gerando uma onda de comoção. Toda a direção do clube renunciaria no dia seguinte, deixando o Ajax nas mãos do ex-craque. Com a ideia de novamente reorganizar o clube desde as categorias de base do time, pediu a demissão de todos os responsáveis pela queda de prestígio delas. Ao fazer isso, acabou desentendendo-se com o pupilo Marco van Basten, chamado por ele para ser o técnico do elenco principal. Cruijff então concluiu, dezessete dias após sua manifestação, que não tinha mais nada a fazer no clube.
Em novembro de 2009, acertou sua volta à função, agora como técnico da Catalunha, cuja seleção não é reconhecida pela FIFA e costuma fazer partidas apenas anuais. Em seu primeiro jogo, o treinador obteve um ótimo resultado, vendo a Seleção Catalã vencer a Argentina por 4 x 2
Seu desprezo pelo futebol sem espetáculo faria com que ele, desgostoso com o rumo tomado pelo futebol holandês, declarasse que iria torcer contra o próprio país na final da Copa do Mundo de 2010, o adversário foi a Espanha, repleta de jogadores do Barcelona e aproveitando-se da filosofia deste clube - ambos promovidos por Cruijff anos antes.
Dentre outros levados diretamente por Cruijff (que inauguraria também a boa relação do clube com futebolistas e técnicos neerlandeses) ao time principal, os mais famosos são Albert Ferrer, Carles Busquets,Thomas Christiansen e Sergi Barajuan, além de seu filho Jordi Cruijff. Com o progresso das canteiras do clube iniciado por ele, o Barcelona lançaria após a sua saída também Carles Puyol, Pepe Reina, Thiago Motta, Albert Luque, Xavi Hernández, Andrés Iniesta, Víctor Valdés, Oleguer Presas, Lionel Messi, Cesc Fàbregas, Gerard López, Mikel Arteta, Luis Garcia, Giovani dos Santos, Bojan Krkic, Gerard Piqué, Fran Mérida, Sergio Busquets, Pedro Rodriques, entre outros
A Seleção Espanhola de Futebol seria campeã da Copa do Mundo de 2010, utilizando como base os jogadores e a filosofia da posse de bola do Barcelona (Puyol, Xavi, Iniesta, Piqué, Valdés, Busquets, Pedro, Fàbregas e Reina estiveram no elenco campeão; os quatro primeiros foram titulares, e Puyol - na semifinal - e Iniesta - na final - marcaram os gols decisivos), promovidos por ele.
Em março de 2010, a cúpula do Barcelona, em reconhecimento aos serviços prestados por Cruijff ao clube, tanto como jogador, técnico e consultor, nomeou-lhe presidente de honra da instituição. Todavia, a honraria lhe foi retirada meses depois, pelo recém-eleito presidente do clube, Sandro Rosell. Rosell justificou-se que a decisão do mandatário anterior, Joan Laporta, fora antidemocrática, sem consulta aos sócios.
Títulos como jogador e como técnico: Ajax, Campeonato Holandês: 1966, 1967, 1968, 1970, 1972, 1973, 1982 e 1983. Copa da Holanda: 1967, 1970, 1971, 1972 e 1983 (jogador), 1986 e 1987 (técnico), Copa dos Campeões da UEFA 1971, 1972 e 1973. Copa Intercontinental 1972, Supercopa Européia: 1972 e 1973, Recopa Européia, 1987 (treinador). Barcelona Campeonato Espanhol 1974 (jogador), 1991, 1992, 1993 e 1994 (treinador), Copa do Rei 1978 (jogador) e 1990 (treinador), Liga dos Campeões da UEFA 1992 (treinador), Recopa Européia: 1989 (treinador). Feyenoord Campeonato Holandês de 1984 e Copa da Holanda em 1984
Títulos Individuais: Bola de Ouro de 1971,1973 e 1974 e FIFA 100
Opinião: Ele era um líder nato,não hesitava também em orientar os companheiros, era capaz de dar "piques nos piques", acelerando jogadas já bem aceleradas, deixando os adversários para trás. Capaz de giros em pequenos espaços, chutes longos certeiros, dribles fáceis, de ser bom cabeceador e artilheiro. Sua personalidade quente e que não aceitava ordens, um possível resquício da perda prematura do pai, faria Michels contratar dois terapeutas para atender o garoto. Dentro de campo, entretanto, a parceria seria um sucesso.
Como técnico, fantástico inovador, pensando no futebol objetivo, conquistou vários títulos dentro e fora do campo, criou uma estrutura gigantesca para o Barcelona e o Ajax, teve seus problemas em campo se envolvendo em varias polêmicas, mas ele é diferente mesmo se envolvendo com algumas confusões ele sempre soube mostrar, que era um gênio dentro e fora de campo, simplesmente ele foi é sempre será fantástico, digo mais o maior jogador europeu da história, melhor que Puskas e Zidane.
Se, atualmente, no futebol mundial existem jogadores polivalentes que podem atuar sem posição fixa no campo, sem prejuízo de suas atuações individuais, muito se deve a este genial craque e não menos a seu treinador o genial Rinus Michels, que dirigiu ele no Ajax, Barcelona e na Seleção Holandesa. Mesmo depois de varios anos terem se passado, sem duvida essa foi a última revolução tática na história do futebol e serão para sempre lembrados como sinônimos do chamado futebol total, o qual os jogadores de linha se sentiam à vontade ao desempenhar todas as posições. Cruijff foi escolhido pela IFFHS o maior jogador europeu do século XX, com méritos, e o segundo maior do mundo, atrás somente do rei do futebol Pelé.
Por Ícaro Dias
@IcaroDias

2 comentários:
Não vi ele jogar, mas esse post não foi bem feito. Você acha que alguem vai ler tudo isso? Eu não li nem a primeira linha. Colocaste um vídeo tirado do youtbe que seria melhor
Abraço
http://gremista-sangueazul.blogspot.com/
44 paragrafos, kkkk
44 linhas já é muito, imagina em parágrafos
concordo com o Giovani
Abraço
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